Vozes da Alma
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Textos
O Contador de Histórias

Procopio, caboclo danado da mata virgem,
Pescador de igarapé, caçador de bicho bravo e firme,
Contava histórias pra gente se embalar no sonho,
Era uma raiz de sabedoria, sabia um pedaço de tudo, como um tronco.

Sabia rezas de pajé, benzimento de cura e quebranto,
Conhecia remédio de erva, do mato brabo e santo,
Suas histórias eram como açaí de cheiroso e forte,
Atravessaram tempo, feito rio Amazonas, com corrente sem morte.

Procopio, na caçada brava, mostrou seu valor danado,
Matou três bichos ferozes, feito de caçador afamado,
Dois caíram com uma bala só, precisão de tiro certeiro,
O terceiro morreu de susto, causo que deixou o pessoal inteiro.

Era Procopio, caboclo de andada larga e solta,
Conhecido no Piririm, em Itaubal, sua fama era revolta,
Amava o Pacuí, nas águas do Araguari se banhava,
Dançava como um curumim endiabrado, com pé de carimbó que sambava.

Caboclo de não levar xilique, era homem de fibra e muiraquitã,
Conhecia Ferreira Gomes, foi até o Oiapoque, com passo de aruanã,
De caiaque singrou o Cabo Norte, aventureiro sem par,
E lá pegou piaba gigante, feito que deixou a maloca toda a falar.

Gente pobre, gente rica, católico, evangélico, todos se juntava,
Pra ouvir Procopio contar histórias, num barulho de araponga cantava,
Quem não souber um causo desse caboclo itaubalense,
Não conhece a força da nossa cultura, o jeitão da gente amapaense.

Suas histórias são como castanha do pará, de sabor e riqueza,
Procopio, contador de causos, uma lenda da nossa grandeza,
Sabia um pouco de tudo, como um pé de samaúma alto e forte,
No Amapá, seu nome é um cipó de memória, enraizado na nossa sorte.

Alan Carlos Dias
Enviado por Alan Carlos Dias em 09/09/2025
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