A História de Safira
No ano de oitenta e oito,
Era junho iluminado,
Um menino de quatorze,
No sofá tinha deitado.
Adormeceu sem demora,
Viu no sonho nova história,
Um caminho revelado,
Um destino reservado.
Tudo era branco e tão puro,
As árvores reluziam,
E no silêncio divino
As vozes se confundiam.
Sob a árvore imponente,
Uma menina inocente
Via as crianças que vinham,
E no barco elas subiam.
O barco vinha do céu,
Com três homens na guarita,
Carregando seus pergaminhos,
Chamando nome na lista.
Cada criança chamada,
De luz era transformada,
Partia em viagem bonita,
Na esperança bendita.
Curiosa a menininha
Perguntou com emoção:
"Para onde levam as crianças
Que entram nessa embarcação?"
Respondeu o homem santo:
"Elas vão viver no encanto,
Nascem de pai e de mãe,
Pra cumprir sua missão."
A pequena se animou,
E com desejo profundo,
Disse: "Também quero ir,
Quero nascer nesse mundo!"
Mas ouviu com paciência:
"Falta tempo na ciência,
Pois teus pais ainda não
Conheceram-se no fundo."
De viagem em viagem,
O barco sempre voltava,
Levava nomes na lista,
Mas da menina não estava.
Ela chorou com tristeza,
Sentiu dor e indefesa,
Pensou que ninguém a amava,
E sozinha se guardava.
O homem então explicou
Com ternura e compaixão:
"Teu pai já vive na Terra,
Mas tua mãe é criação.
Ela nasceu há bem pouco,
Por isso demora um pouco,
Mas confia em teu chamado,
Deus já fez a eleição."
Cansada da longa espera,
A menina quis desistir,
"Se não querem que eu nasça,
Não preciso mais seguir."
O anjo então declarou:
"Teus pais já vão se encontrar,
Falta pouco pro destino
O teu nome descobrir."
Até que veio o momento,
O barco outra vez chegou,
E quando abriu-se o pergaminho
O primeiro nome chamou.
Era o dela, tão querida,
A escolhida pra vida,
E com lágrimas subiu,
O futuro então mudou.
Mas com medo ela parou,
E recuou no portão:
"Esperei tanto esse tempo,
E se não tiver amor, não?"
O anjo disse sorrindo:
"Teus pais vão estar contigo,
O Senhor já prometeu,
Darás fruto e coração."
Foi então que despertei
Do sofá daquela sala,
Com catorze de idade
E a lembrança que não cala.
Pensei ser só fantasia,
Mas guardava em poesia
A visão que me acalmava
E no peito sempre fala.
A vida seguiu seu rumo,
Vieram filhos varões,
Cada gravidez trazia
Novos sonhos, emoções.
Mas a filha esperada,
Não surgia, tão sonhada,
E o tempo trouxe respostas
Com mudanças e paixões.
Novo amor, nova esperança,
Mas o médico disse "não",
Cistos fechavam as portas,
Interrompiam a gestação.
Mesmo assim veio um sonho,
Deus mostrou o Seu apoio,
Que uma filha nasceria,
Cumprindo a revelação.
Profetas confirmaram logo,
"Uma menina virá",
E a palavra foi certeira,
A promessa se firmará.
Minha esposa duvidava,
Mas Deus já lhe assegurava:
"Curada está, prepara,
Tua filha nascerá."
Veio o tempo esperado,
A notícia emocionou:
— "Estou grávida, deu positivo!"
Minha esposa me avisou.
E no ventre protegido,
Estava o sonho contido,
Que nas dores do trabalho,
No meu colo repousou.
Foi chamada de Safira,
Pedra rara, resplendente,
E Emanuelly de Deus,
Que está conosco presente.
Dias Dias na lembrança,
Dos momentos de esperança,
Cumpriu-se o sonho sagrado,
Safira é o presente.
Alan Carlos Dias
Enviado por Alan Carlos Dias em 27/09/2025
Alterado em 27/09/2025