Vozes da Alma
Minha maior inspiração é o Senhor Jesus
Textos
A História de Safira - A História de Safira - Verdadeira História

Capítulo 1 – Junho de 1988

Era uma manhã clara de junho de 1988. Eu tinha apenas 14 anos e morava na 13ª travessa do Congós, hoje conhecida como Avenida Nilo de Almeida. Nossa vida era simples, marcada pelo esforço diário. Minha mãe saíra cedo, junto com meu padrasto, para a pedreira, de onde tirávamos parte do sustento da casa.

Coube a mim preparar o almoço e cuidar dos irmãos menores. A rotina era pesada para minha idade, mas já me acostumara à responsabilidade. O cheiro da lenha queimando, o barulho das galinhas no quintal e as vozes infantis enchiam o ambiente de vida.

Por volta das dez e meia da manhã, exausta, encostei-me no sofá da sala. As pálpebras pesaram, e sem perceber, adormeci. Foi nesse instante que vivi o maior e mais importante sonho da minha vida — embora, naquele momento, eu não soubesse.

Capítulo 2 – O Sonho Branco

Sonhei que estava em um lugar completamente branco. Árvores, chão, céu — tudo parecia ser feito de luz. A calmaria que reinava ali era indescritível, uma paz que ao mesmo tempo confortava e inquietava.

À minha direita, vi uma figura semelhante a uma garotinha. Ela estava sentada aos pés de uma árvore frondosa, de beleza jamais vista na Terra. Seus olhos curiosos contemplavam cada detalhe ao redor.

Ao longe, percebi a presença de pessoas adultas, todas vestidas de branco. Moviam-se em silêncio, como se estivessem envolvidas em uma missão sagrada. Mas ninguém parecia notar a minha presença.

De repente, uma embarcação se aproximou. Não era barco comum: lembrava um Vick, mas brilhava com intensidade sobrenatural. Uma comporta se abriu, e três homens imponentes desceram, cada um trazendo nas mãos rolos de pergaminhos. Eles liam nomes que eu não conseguia entender.

Capítulo 3 – A Menina e o Barco

Enquanto observava a cena, vi crianças surgirem diante da embarcação. Cada vez que um nome era chamado, uma delas subia a bordo. Os rostos eram serenos, como se soubessem exatamente para onde iam.

A menina sentada à sombra da árvore acompanhava tudo com atenção. Quando o último nome foi pronunciado, a porta do barco se fechou. A embarcação partiu rumo ao horizonte e, diante dos meus olhos, transformou-se em uma esfera de luz que logo se dividiu em centenas de feixes luminosos.

Curiosa, a menina perguntou a um dos homens de branco:
— Quem eram aquelas crianças? Para onde as levaram?

O homem respondeu com suavidade:
— Estão sendo chamadas para nascer. Seus pais já as aguardam.

A menina, intrigada, perguntou:
— O que é nascer?

O homem explicou com paciência, descrevendo a vida na Terra. Fascinada, ela disse com firmeza:
— Também quero nascer!

Ele sorriu e respondeu:
— Você nascerá, mas ainda não. Seus pais ainda não nasceram.

Capítulo 4 – A Espera

De tempos em tempos, o barco retornava. A cena se repetia: a porta se abria, os nomes eram chamados, as crianças embarcavam, e logo a nave seguia viagem, transformando-se em luz.

Dessa vez, eu via a Terra como se estivesse no espaço. Cada feixe luminoso descia em direção a uma casa específica. A menina, ainda sob a árvore, perguntou novamente:
— Para onde vão aquelas luzes?

— Cada luz é uma criança que nasceu — explicou o homem. — É assim que elas encontram seus pais.

O barco vinha e partia várias vezes, mas a garotinha permanecia ali, aguardando ansiosa pelo seu nome.

Capítulo 5 – A Angústia

O tempo na eternidade parecia não passar, mas para a menina, cada viagem do barco era uma eternidade.

Um dia, já tomada pela tristeza, ela disse ao homem de branco:
— Meus pais não me querem. Tenho esperado tantas viagens, e nunca chamam meu nome.

Ele se aproximou, olhou-a nos olhos e respondeu:
— Seus pais querem você, mas ainda não chegou o momento. Seu pai já nasceu na Terra, mas sua mãe acaba de nascer. Será preciso esperar mais um pouco.

Mesmo assim, a menina chorou. A cada embarque, a cada nome que não era o dela, as lágrimas escorriam pelo rosto.

Capítulo 6 – A Ansiedade

O barco continuava indo e vindo. Agora, sempre que o via surgir entre as nuvens, a menina corria até a comporta, cheia de esperança. Mas seu nome não era chamado.

— Vai demorar muito? — perguntou com voz aflita.

— Seus pais já cresceram, mas ainda não se conhecem. — respondeu o homem. — Tenha paciência.

A ansiedade era tanta que, em certo momento, a menina murmurou:
— Não quero mais nascer.

Com ternura, o homem explicou:
— Seus pais já se encontraram. O momento está sendo preparado. Espere mais um pouco.

E assim, viagem após viagem, a esperança se misturava ao medo.

Capítulo 7 – O Chamado

Depois de incontáveis embarques, a menina já havia desistido de esperar. Não correu quando viu o barco surgir novamente, imponente, planando sobre as nuvens.

A porta se abriu. Os três homens desceram e abriram os pergaminhos. O primeiro nome chamado foi o dela.

Assustada, correu em direção ao barco, mas, na hora de subir, hesitou.
— Tenho medo de não ser amada. Esperei tanto tempo... — confessou.

O homem de branco a abraçou e disse:
— Não tenha medo. Os pais que Deus escolheu para você vão amá-la profundamente. Eles farão de tudo para que seja feliz.

A menina então entrou no barco. E, naquele momento, despertei.

Capítulo 8 – O Despertar

Acordei no sofá, ofegante, como se tivesse vivido tudo aquilo de verdade. Olhei ao redor e percebi que não passara de um sonho — ao menos, assim pensei.

A vida seguiu. Continuei ajudando em casa, estudando quando podia, vivendo os altos e baixos da adolescência. O sonho ficou guardado em minha memória, mas não esquecido.

Capítulo 9 – A Vida Seguiu

O tempo passou. Tornei-me adulta, enfrentei dificuldades, desafios e alegrias. Aos 23 anos, envolvi-me em um relacionamento sério. Logo veio a notícia da minha primeira gravidez.

No instante em que soube, lembrei-me do sonho da infância e tive a certeza: seria uma menina. Mas o ultrassom revelou um menino.

Vieram o segundo e o terceiro filho, e em todos eles a mesma expectativa. Porém, eram meninos. Com o tempo, convenci-me de que o sonho tinha sido apenas imaginação de menina.

Capítulo 10 – O Recomeço

Depois de 19 anos de relacionamento, enfrentei a separação. Foram dias difíceis, mas, cinco anos depois, conheci aquela que se tornaria minha atual esposa.

Com o tempo, sonhamos em ter um filho juntos. Porém, o diagnóstico médico foi cruel: minha esposa tinha cistos nos ovários, o que tornava a gravidez impossível.

Iniciamos tratamentos, mas sem sucesso. Em meio à dor, sonhei novamente. Vi minha esposa grávida, e no sonho, seria uma menina.

Capítulo 11 – A Promessa

O sonho reacendeu a esperança. Pouco tempo depois, minha esposa também sonhou que estava grávida. Porém, novos exames mostraram que os cistos haviam se multiplicado.

Mudamos de cidade para abrir uma igreja. Em Tartarugalzinho, Deus usou vários pastores para confirmar aquilo que eu havia sonhado aos 14 anos: a promessa de uma filha.

Ainda assim, minha esposa custava a acreditar. Foi então que Deus enviou um profeta que declarou:
— Você está curada. Terá uma filha.

Capítulo 12 – A Confirmação

Tivemos de esperar mais algum tempo. Até que uma revelação divina nos mostrou que já era hora de voltar a Macapá. Obedecemos.

Cerca de quatro meses depois, enquanto eu estava em sala de aula, recebi uma ligação. Do outro lado da linha, minha esposa chorava de alegria:
— O teste deu positivo. Estou grávida!

Capítulo 13 – Do Sonho à Vida Real

A menina do sonho acordou em um lugar desconhecido. Estava envolvida por uma bolha submersa em líquido. Durante meses, flutuou protegida.

Mas quase nasceu antes da hora: a bolsa que a envolvia se rompeu antes do tempo. Mesmo assim, resistiu. Foram oito meses até ver o rosto dos pais.

O parto não foi fácil. Houve risco de morte para ela e para a mãe. Mas, duas horas depois, finalmente nasceu.

Capítulo 14 – O Primeiro Encontro

Quando a enfermeira a trouxe, não contive as lágrimas. Corri, beijei sua face, observei cada detalhe. O amor cresceu imediatamente.

Como a mãe precisou ficar internada, passei a primeira noite com minha filha nos braços, andando de um lado para o outro, alimentando-a com leite do banco de leite.

Capítulo 15 – O Nome

Ainda no hospital, registramos sua chegada. Seu nome seria um testemunho:

Safira – a pedra preciosa.
Emanuelly – o feminino de Emanuel, “Deus conosco”.
Dias Dias – para recordar os dias difíceis e também os dias da promessa cumprida.

Capítulo 16 – O Presente de Deus

Safira foi batizada com o Espírito Santo ainda no ventre, como nos revelou um sonho. Hoje, sabemos que ela é e será uma ganhadora de almas para o Reino de Jesus.

Ela é mais do que um sonho de adolescência. É a prova viva de que Deus cumpre Suas promessas. Safira é um presente divino, a realização de uma espera que atravessou o tempo.

E assim, o sonho de junho de 1988 tornou-se realidade.
Alan Carlos Dias
Enviado por Alan Carlos Dias em 27/09/2025
Comentários