Medos
Tenho medo de dormir e acordar vazio,
vazio de esperança, da tua presença!
Meu corpo treme, minh’alma geme,
e me afogo na desesperança!
Busco um abraço, mas meus braços não te alcançam,
não te alcançam na distância em que estás.
Sinto que você se fechou em um universo de culpa e dúvidas;
procuro estar presente, mas eu incomodo.
Então, meu coração se despedaça!
Minhas verdades foram todas corrompidas.
Tento me reencontrar, mas me sinto sozinho,
em uma luta de colosso, em meio à tempestade sombria.
Parece que sou invisível ou risível.
Tornei-me caco de vida, lembrança de amor.
O novo te assusta, mas sou apenas eu,
tentando, com a metamorfose, dizer
que, sem a tua presença, tudo carece de sentido!
Você não vê que eu estou morrendo?
Que, se não estender as mãos sinceras,
meu coração, sofrido e cansado,
não resistirá a essa carga emotiva?
Como uma locomotiva, ele se apressa em meu peito,
mais veloz que as correntes do Amazonas,
mas frágil como pétalas de rosas.
Ele suspira, grita no silêncio que sufoca!
Sinto que estou te perdendo.
Você disse que acordei tarde demais
para salvar os cacos do amor.
Mas eu nunca dormi, cuidando de você nos detalhes!
Como vigia, eu circulava a casa, as paredes, os cômodos.
Eu queria que você percebesse que eu morreria por você.
Mas hoje estou morrendo com o medo de te perder,
de me tornar um incômodo por querer estar perto.
Estou perdido no oceano de sentimentos.
O leme de minha vida está danificado,
meu barco da razão está sem direção.
Não durmo, porque me falta teu alento.
Porque sei que você partirá para tão distante.
Você decidiu que assim será mais fácil,
que se formará mais brevemente,
mas o amor ficará em pedaços!
Na verdade, você está fugindo de si mesma,
foge de nós, das dores não resolvidas.
Você decidiu que, ao se afastar, estará longe,
e não sentirá a força da despedida!
Mas e eu? Nossa família? Nossos planos?
Não valem um esforço, uma renúncia do “eu”?
A distância não resolve enganos,
ela apenas destrói o coração.
O amanhã não me pertence.
Não sei como ele será, nem se estarei lá.
Tudo o que sei é que me perdi
e não sinto que você queira me encontrar.
Alan Carlos Dias
Enviado por Alan Carlos Dias em 03/04/2026