OCEANO DA VIDA
Oceano da vida,
me jogaram em você sem remo.
Eu só queria ser abraço,
virei travessia.
Eu só queria ser amor,
virei ponte.
Todos sobem em mim.
Com seus sacos, seus pesos, suas pressas.
Ninguém tira o chapéu pra ponte.
Ninguém pergunta se ela chora de noite.
Eu fui.
Deus sabe o quanto eu fui.
Fui cansado.
Fui quebrado.
Fui humilhado.
Mas fui.
Porque quando a gente ama,
a gente vai mesmo sem ter como voltar.
E o que me deram de volta?
O nome de egoísta na boca
de quem eu carreguei nas costas.
Só pedi um pouco de combustível.
Não pedi amor.
Não pedi perdão.
Só combustível pra não parar no meio do caminho.
E me negaram.
Naquela noite no Piririm,
eu não chorei de raiva.
Chorei de saudade de mim.
Saudade de quando eu achava
que ser bom bastava.
O vento bateu no meu rosto,
a água escura não me respondeu,
e eu entendi:
A vida é um oceano grande demais
pra quem só sabe ser ponte.
Mas eu ainda estou aqui.
Com o casco rachado,
com o coração endividado,
mas ainda boiando.
Porque oceano não morre na beira.
Oceano espera a maré voltar.
E eu vou esperar.
Mesmo sozinho.
Mesmo sendo só utilidade pros outros,
pra Deus eu ainda sou filho.
Ainda sou oceano.
Alan Carlos Dias
Enviado por Alan Carlos Dias em 20/09/2026